Psicanálise

Querer uma Criança:

Sonho de Gravidez, Nomes do Pai e Histórias de Família

Grupo de Estudos de Psicanálise
Pipol 10 – Congresso Europeu de Psicanálise

Querer uma Criança:
Sonho de Gravidez, Nomes do Pai e Histórias de Família

Este grupo de estudos, organizado pela Nós Bobôs e apoiado pela Antena do Campo Freudiano, constituiu-se em Portugal como uma atividade preparatória para o Pipol 10 – Congresso Europeu de Psicanálise, que acontecerá em Bruxelas nos dias 3 e 4 de Julho de 2021.

O tema geral do Congresso é « Vouloir un enfant? Désir de famille et clinique des filiations ».

Propõe-se investigar, com uma orientação lacaniana, o emaranhado que envolve a vontade de querer uma criança, nomeadamente segundo três linhas guias:

O grupo seguirá as diretivas da comissão organizadora do Congresso Pipol 10.

Será realizado através de reuniões periódicas via Zoom.
Está aberto a todos os interessados pelo tema.

Para participar, entre em contacto:

A proposta de estudos

Seres falados/falantes

Cada individuo da espécie é atravessado pela linguagem e com ela se torna um ser humano.

O sujeito (da psicanálise) é um ser falado e falante. Antes do nascimento de uma criança, já se fala dela: a mãe, o pai, os irmãos, os avós, os diferentes cuidadores, a parteira, o corpo médico-científico, a obstetra, o pediatra, etc. Os sonhos e as fantasias de gestação e de parto, a ânsia pelas primeiras palavras, os medos das noites sem dormir, a primeira bicicleta, o que vai ser quando crescer… tudo isso fala já e também da “pequena pessoa” antes do seu nascimento.

Histórias de família

A história familiar, coletiva e própria de cada um, marca o corpo e a vida do sujeito, acompanhando-o pela existência social e sexuada, influenciando os seus prazeres e as suas decisões.

Essa história é escrita antes mesmo da chegada física do bebé ao mundo. Ela começa no desejo do Outro, com os novos sonhos e fantasias de “ter” uma criança, etc.

Muitas grávidas, na hora do parto, deparam-se, confrontam-se com tudo o que a sua história arrasta consigo, nomeadamente com a sua relação de mulher com a própria mãe.

Os homens também são afetados pela gravidez da sua parceira e pelo momento parto, confrontam-se igualmente com a história, com a relação com o seu pai e mãe, com a sua capacidade de amar e ser amado.

O homem é também atormentado pela sua experiência sexual e afetiva; a sensação de ser abandonado pela parceira que está numa relação fusional com o bebé, o receio de ser egoísta por desejar ter relações com a companheira, a impressão de fragmentação do corpo da parceira (por exemplo, o seio para o bebé, a vagina para ele).

Ao mesmo tempo, é confrontado com a sua capacidade ou incapacidade para cuidar do bebé, de ter de se encarregar de um pequeno ser totalmente dependente, de exercer funções muitas vezes pensadas como “maternais”. Questões que tocam os homens nos seus lados masculino e feminino.

Nomes do pai e funções

Alguns homens não conseguem responder à função de pai quando um filho seu é anunciado ou vem ao mundo. Porque “filho” torna-se um significante que afeta a existência de um homem transformando-o em Pai. A um certo nível, é o filho que dá a um homem o nome de “pai”. É a partir desta nomeação que surge a dor e/ou a delícia de carregar o Nome de pai.

Todavia, assumir o Nome-do-Pai, não é a mesma coisa que ser nomeado para o cargo ou a função de pai. A este nível, proliferam os nomes do pai. Pode haver o Pai do céu, o Santo Pai, ou o Pai de Santo, por exemplo. Uma mulher pode também desempenhar a função do pai.

Ser pai é também amar uma criança, reconhecê-la e educá-la como o seu filho ou filha, para além de lhe transmitir um apelido e de a chamar pelo seu nome.

Parentalidade

“Parentalidade” é um neologismo que indexa o real do parentesco, ou seja, não se refere apenas à ordem simbólica do pai (Nome-do-Pai) e à sua função na metáfora paterna, que é de criar uma significação fálica para o Desejo da mãe.

Para que haja parentalidade é preciso que exista um filho ou uma filha. É o bebé, não como substituto do Falo, mas como objeto de desejo e de gozo que permite realmente ao pai ou à mãe exercer as funções parentais.

Na parentalidade contemporânea, os homens são também convocados a ações de cuidado, afeto, atenção, etc. Estas podem ou não ser espontâneas, porque, apesar de serem comuns aos dois sexos, existem ainda muitos homens que as sentem como funções unicamente maternais.

Linhas guias e objetivos do grupo de estudos

1. Sonho de gravidez

Como se dá a gestação, o parto e o pós-parto, tanto para a mulher como para o homem? Quais as transformações, emoções e pensamentos que podemos observar naqueles que participam na gestação, no parto, nos cuidados e na educação de uma criança?

2. Nomes do pai

O que é o Nome do Pai, os nomes do pai e a função de um pai? Quais são as implicações da chegada de um bebé para um pai? Como se exerce a função paterna hoje? Ainda existem funções masculinas e femininas, paternas e maternas? O que é a parentalidade contemporânea?

3. Histórias de família

De onde vem a família contemporânea? Quais são as atuais formas de organização familiar? Como se estruturam os lugares do pai e da mãe na atual parentalidade? Após uma separação conjugal, como fica a relação entre pais e entre os pais e os filhos? Como se sustentam os novos arranjos familiares? A criança será ainda his majesty the baby, o centro dos olhares da família?

Para participar, entre em contacto:

Referências

Textos de psicanálise - proposta inicial

Pipol10. Site da EFP – Eurofederação de Psicanálise.
https://www.europsychoanalysis.eu/pipol-10

Lacan, Jacques. Nota sobre a criança. Outros Escritos, p. 369-370. Jorge Zahar Editora.

Brousse, Marie Hélène. «Un néologisme d’actualité : la parentalité».
La Cause freudienne, 60, Paris, Navarin éditeur, 2005, p. 123.
https://www.cairn.info/revue-la-cause-freudienne-2005-2-page-115.htm

Laurent, Éric. «Los niños de hoy y la parentalidad contemporánea».
Conferência na Facultad de Psicología de la Universidad de Buenos Aires, Maio de 2018. Youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=j-Y89V6ofHo

Ansermet, François. «Les Battements du Temps “L’Origine à venir”». Youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=V8ZpoyOP-qk

Martinho, José. O Que é um Pai? Editora: Assírio & Alvim. Dez/1990.
Livro na Wook.
Publicações da ACF-Portugal.
 
 

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